quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

encontras em mim, me encontro em ti

na minha boca um esconderijo
que só perde para a orelha
no meu pescoço a marca
quiseste levar um pouco, deixou teu desejo
no meu seio a almofada
sem descanso o afaga
-me deleito
na cintura o par de mãos se encontra,
seguram
seguras
apertam
enquanto procuras forças para continuar
com os olhos bem abertos
meio sorriso no rosto
segues a dança com perícia
enquanto sussurro baixinho
que de-lí-cia

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

das possibilidades

é impossível ver-te com ela e não lembrar dos nossos dedos enlaçados
é impossível caminhar só na noite e não lembrar de "and I love u so" aos beijos e gargalhadas
é impossível acordar no domingo pela manhã e não pensar em "hummingbird", lembrar do cheiro de suor e do verde e doce cheiro que deixava o pequeno quarto enevoado
(não lembrar do chiado do vinil)
é impossível viajar e não pensar em te contar tudo o que está acontecendo
viajar e não lembrar de quantas vezes isso foi dolorido
(as separações à força do destino)
é impossível voltar no tempo
é impossível apagar o passado
e é impossível não lembrar de tudo,
sem pensar em recomeçar
sem ti

terça-feira, 2 de novembro de 2010

acho que o imperfeito não participa do passado

teu sorriso amarelou
teus olhar é opaco/perdeu o brilho
tua mão passa pelo meu corpo,
mas não sinto palma,
não sinto dedos
sinto a mão fechada
o punho cerrado e pronto para agredir um passado
que para mim não passou
quando move os lábios
não ouço palavras que possa compreender
tua voz era doce
como os beijos que nunca mais demos
esse amor que sinto ainda é tenro
mas tua apatia, aos poucos me contamina
e ela não combina com as flores que plantamos no nosso jardim