terça-feira, 2 de novembro de 2010

acho que o imperfeito não participa do passado

teu sorriso amarelou
teus olhar é opaco/perdeu o brilho
tua mão passa pelo meu corpo,
mas não sinto palma,
não sinto dedos
sinto a mão fechada
o punho cerrado e pronto para agredir um passado
que para mim não passou
quando move os lábios
não ouço palavras que possa compreender
tua voz era doce
como os beijos que nunca mais demos
esse amor que sinto ainda é tenro
mas tua apatia, aos poucos me contamina
e ela não combina com as flores que plantamos no nosso jardim

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

devaneios

dizer que odeia
mas amar, sim
mas dizer que ama
e odiar
é morrer um pouquinho todos os dias

se não houvessem dúvidas
estaria provado que não pensamos
se não houvessem desafios
é certo que não viveríamos

se pudesse voltar no tempo
seria para mudar minha incapacidade de aprender com erros



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

vó Sofia

A dona Sofia (minha bisavó) foi a figura mais esperta que conheci. A véia era desbocada, contadora de histórias, batalhadora, trabalhadora, índia véia que não gostava de ser chamada de bugra, sempre muito atenta a tudo que acontecia a sua volta, invocadíssima (herança prá muitas gerações de mulheres), adorava ouro e adorava minha batata no bafo. São tantas coisas boas prá escrever sobre ela! Pena, bisa, que não deu prá senhora contar mais histórias prá nós. Mas te liga nessa: um dia vou prá Cambará buscar aquele tesouro que a senhora uma vez me contou! Hoje, a senhora fechou os olhos para não mais abrir com o corpo que tinhas, mas deixaste nessa brugramoa e em todos que te conheceram um grande exemplo, uma grande vontade de viver!

sinta vontade de ficar

eu quero muito saber como vou me sentir depois que tudo isso passar

perceber coisas que eu construí

e

re

construí(r)

e por mais que eu pensasse que esse castelo pudesse desmoronar

eu não acreditava

pois não se tratava de príncipe

e princesa

éramos eu e tu

nós marchamos

e agora pagamos

ou pago eu

a pena de não tentar

mais dias especiais

te lembras:

"eu:

-no que estás pensando¿”

( ao pôr)

relutaste

aos risos questionava

ou melhor

exclamava o amor

que lindos fomos

não acredito que seremos

piores amanhã.

sábado, 21 de agosto de 2010

andei lendo

"Vivemos, agimos e reagimos uns com os outros, mas sempre, e sob quaisquer circunstâncias, existimos a sós. Os mártires penetram na arena de mãos dadas, mas são crucificados sozinhos. Abraçados, os amantes buscam desesperadamente fundir seus êxtases isolados em uma única autotranscendência; debalde. Por sua própria narureza, cada espírito, em sua prisão corpórea, está condenado a sofrer e gozar em solidão. Sensações, sentimentos, concepções, fantasias - tudo isso são coisas privadas e, a não ser por meio de sílmbolos, e indiretamente, não podem ser trasmitidas. Podemos acumular informações sobre experiências, mas nunca as próprias experiências. Da família à nação, cada grupo humano é uma sociedade de universos insulares." , já dizia Aldous Huxley em: AS PORTAS DA PERCEPÇÃO.